Qual carro vai para a pista primeiro?

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Semana movimentadinha...


A peça mais importante de um carro de arrancadas é, sem dúvida, o motor. E pra levantar o moral, nada como mexer um pouco nele. Afinal, tudo tem de ser feito em torno do trem de força, uma vez que se ele não está montado no lugar fica difícil de fazer várias coisas no carro, como os coletores, radiadores, ligações e etc.

Mas no momento o bloco só está pintado, precisa de retífica para a colocação dos novos pistões de 87,4mm. E nessa semana pretendo dar andamento nesse processo. Já estou com os pistões, o torque plate e já escolhi a retíficadora pra fazer o serviço. No decorrer da semana vamos falar mais sobre isso.

O cabeçote também tem diversas coisas para serem vistas.








O motor 16 válvulas que comprei na época, era bastante judiado. Um dos problemas dele era que algumas roscas dos prisioneiros do coletor de escape estavam completamente esgualepadas. Uma delas inclusive, estava aumentada de 8 para 10mm e a rosca de 10 também já estava espanada... Coisa de artista mesmo.

Então a primeira coisa que fiz, foi desmontar o cabeçote todo e preencher essas roscas estragadas com solda, para que pudessem ser refeitos os furos e as novas roscas. Mas esse processo deixou algumas sequelas, como dá pra ver bem nas fotos acima. O furo do dowel pin foi preenchido parcialmente e tem de ser refeito. A face do coletor de escape tem de ser retificada e até mesmo a superfície de vedação dos cilindros terá de ser retificada, em função das deformações causadas pela grande quantidade de solda necessária para arrumar as cagadas de quem fez essa arte.





Além disso, os dutos de escape tiveram de ser preenchidos, pois o cabeçote era originalmente de um carro que possuía a válvula EGR. Esse sistema de recirculação dos gases de escape utilizava ressaltos na entrada do duto, com furos em sua base. Esses ressaltos atrapalhavam o fluxo, por isso esmerilhei eles fora. Contudo, os furos ficaram e precisaram ser preenchidos também com solda, conforme mostram as fotos. E em função disso, agora é necessário esmerilhar essa solda, refazendo o formato normal dos dutos.





Outro detalhe relacionado com a EGR é a peça que vai na extremidade do cabeçote, que tem as multiplas funções de direcionar os gases de escape para a admissão, afixar a bobina e conduzir a passagem de água do radiador do ar quente. Além disso tudo, ainda são localizados nela os dois sensores de temperatura de água do motor, o do módulo de injeção e o do painel.

Essa peça é desnecessária para a minha aplicação, por isso vou eliminá-la. Mas para tanto preciso  modificar o cabeçote para afixar diretamente o sensor de temperatura da água da injeção eletrônica diretamente no cabeçote. Mais trabalho para essa semana. Depois, basta fazer um novo suporte para a bobina e posso eliminar a peça do cofre.


Com tudo isso resolvido, posso começar a pensar nos tuchos, válvulas, molas, comandos, polias e cia.

Falando em polias...



...aí está a polia do virabrequim, original do Vectra CD16v. Já sem ferrugem e pintadinha, pronta pra voltar pro seu lugar.

O grande desafio será equilibrar todas essas coisas a fazer no carro, com o trabalho normal da oficina, que está lotada. Mas de qualquer forma, algo será feito. Aguardem novidades nesse mesmo bat-canal!

sábado, 9 de junho de 2012

Dando uma melhorada nas pinças de freio

Pinças de freio já pintadas
Até um carro de arrancada precisa de freios. Não é preciso muito freio, pois os pneus são enormes e murchos, já seguram o carro automaticamente. Além disso o carro é bem mais leve do que um veículo comum, o que reduz a carga na frenagem. Além do fato de que quando os carros de arrancada são realmente rápidos, a forma correta de pará-los é um paraquedas.

Mas ainda que não seja obrigatório ter grande capacidade de frenagem, é importante que os freios sejam confiáveis. Afinal, pode não ser preciso freiar rápido, mas é necessário parar!

O carro já funcionava anteriormente com freios dianteiros do Corsa 1.0. As pinças eram boas, mas ficaram 4 anos paradas e achei melhor dar uma revisada. Estavam feias, pois o dono anterior tinha pintado elas de vermelho. Quando coloquei no Kadett dei uma tapeada e pintei de preto vinílico. No momento, estavam um pouco pretas, um pouco vermelhas e muito enferrujadas.

Mas o visual é o de menos. Desmontei tudo para ver como estavam os cilindros, as vedações, fixações, sangradores, etc. Um pouco de ferrugem, mas nada seriamente comprometido.

Depois foi só limpar os cilindros, tratar contra a ferrugem, retirar toda a tinta e corrosão do exterior, preparar e pintar. A última etapa agora será a remontagem, assim que a tinta secar.






Fique ligado, em breve tem mais!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Barras de direção, bieletas e estabilizadora


Um pouquinho por dia... Pintei a barra estabilizadora e os braços de direção e coloquei bieletas novas, com buchinhas de duroprene. Coloquei também buchinhas novas na fixação da barra.

Vamos ver o que dá pra fazer hoje!




quarta-feira, 30 de maio de 2012

Você ainda acredita? (reflexões de um idiota)

MOTORNO: Segundo meu amigo Pomada, pintei meu motor da cor de um torno.

Meu Kadett é ano/modelo 1993. Pode não ser um Hudson Pacemaker de 60 anos de idade, mas não é tão novo assim... Afinal, já saí com moças que nasceram por esses anos... (Que fique claro que foi em outras épocas viu dona patroa?)

Bom, não vamos perder o foco. Há poucos dias me dei conta de que meu carro, apesar dos quase 20 anos de idade, na verdade não é tão velho assim... De 93 a meados de 99, não sei o que ele fazia, ou com quem andava. Foram 6 anos de uso "normal". Pelo que me disseram, o carro era muito bem cuidado, por um casal de mulheres. E se tem coisa que a sapata "machinho" da relação gosta, é de ser mais homem que os homens. Logo, cuidava bem do carro. Ou assim é o que se supõe. Ou apenas eu supus isso. Enfim.

Então, elas deram o possante na troca por algum outro automóvel, na loja do meu amigo Gabal. E lá, meu pai se agradou do carro e adquiriu-o. Rodou um tempo com ele, até que lá por 2000 eu bati o Golf GTi que tinha num poste e num guard rail. Levei comigo alguns arbustos, derrubei o poste... E o carro, é claro, deu perda total. E também é claro que o seguro vendeu o salvado com documentação e o pobre Golf voltou a rodar, fazendo a alegria de algum chapeador por aí.

Foco, foco... Ok. Sem Golf, precisava novo carro. Negociei o Kadett com meu pai e ele comprou... Sei lá o que. Um Peugeot... Foco, foco.

Lá por 2000, então comprei o Kadett. Andei um tempo, fui feliz, me diverti, viajei, rebaixei, coloquei rodas Mille Miglia, bancos recaro, volante MOMO... Curti o carro. Mas toda criança, quando cresce, começa a se preocupar menos com a aparência e mais com as habilidades das moças... Dos carros... Dos carros! Foco, foco...

E aí resolvi turbinar. Lá por 2002, (então com 8 anos e pouco de uso) desmontei o motor. E o carro ficou nada menos que 2 anos e meio parado. Em 2005 resolvi remontar, rodei menos de um mês e o carro foi roubado! Por sorte foi encontrado, só que claro... Depenado.

E aí virou de corrida. Tentei, tentei, tentei andar... Mas só consegui mesmo em 2007. Mas "andar", quanto? Alguns metros. Poucos km. Nem 10.

Em 2008 o carro foi desmontado novamente e assim está desde então. Dos 20 anos de idade que o carro tem, mais da metade desse tempo ele passou parado! Se fosse uma coroa, seria uma de 40 com corpinho de 20!

Mas por que eu estava falando isso mesmo?

Ah... É. O carro está atirado na oficina já há quatro anos. Só esse blog tem 3 anos de carro parado. Eu mesmo pensei várias vezes, se não seria melhor abortar o projeto, afinal, na vida tudo tem prazo de validade. Quando comprei esse carro eu era um guri. Não tinha responsabilidades, tampouco exigências. O carro era "novinho" e estava funcionando. Apenas dez anos se passaram, mas dez anos mudam muita coisa na vida de uma pessoa. Principalmente "esses" dez, dos vinte poucos aos trinta e poucos.

O que era um projeto legal, um sonho, hoje já beira a irresponsabilidade. Porque é uma irresponsabilidade ocupar o espaço de trabalho com um carro desmontado. É um desperdício de espaço, tempo e dinheiro. E no meu caso, nada disso sobra.

Mas justamente falando em dinheiro... Se for o caso de desistir... Quanto vale um Kadett SL 93? Putz... Pouco... E cada vez menos, com os carros e os juros barateando... E se estiver desmontado? E se faltarem peças (em decorrência daquele roubo onde ele foi depenado)? E se tiver uma beira de documentos?

Bom, a real é que ninguém quer saber se meu Kadett é uma Luiza Brunet. Porque desse jeito, no quesito "desejabilidade" ele tá muito mais pra Amy Winehouse nos últimos dias. Traduzindo em lingua de gente: O valor de venda do carro hoje, é menor ou igual ao dinheiro que eu teria de gastar pra deixá-lo em condições de vender.

Então, do ponto de vista da irresponsabilidade, ao menos o fardo financeiro, posso tirar da minha consciência. Ufa!

Nada... Nessa altura, o dinheiro que foi perdido é o leite derramado, pelo qual todos sabem, não adianta chorar. Mas ainda assim o carro parado não pode ficar, pois está atrapalhando, causando prejuízo... Mas por outro lado, concluí-lo vai requerer mais leite e se demorar muito mais, pode vir a ser até o leite das crianças...

Conclusão da pessoa lógica: Jogue o carro fora.

Né?

Ou será que não? Até a Playboy da Luiza Brunet eu pensei bem antes de jogar fora... Que dirá um carro, BOM, que além de tudo é o carro com o qual tive o maior relacionamento até hoje na minha vida... No qual já foi tanto dinheiro, tanto esforço e com o qual já vivi tanta coisa...

Não é tão lógico livrar-se de algo que ainda está bom, mesmo que isso seja financeiramente mais conveniente...

Alguém viu "EU, Robô"? A Dra. Calvin não desligou o Sonny... A coisa tem valor pela própria coisa em si... Alguém entende isso?

Então penso nos motivos. De ter feito isso, de a coisa ter chegado onde chegou. Era um projeto, um sonho... De ter um carro turbo, de mexer num carro turbo... De ter um carro de corrida... Tudo isso de fato realizei.

Virei 12,2 segundos numa época em que isso era tempo de carros de corrida similares com muito mais investimento que eu tinha. Minha iniciativa mostrou a muita gente que um carro de corrida podia ser barato e rápido e que não era necessário seguir certas normas para fazer as coisas. Isso influenciou muita gente a fazer carros, que hoje inclusive são muito mais rápidos do que o meu foi.

Os desdobramentos daqueles conceitos que defendemos na época e pelos quais tivemos até mesmo que eventualmente brigar, nem tenho coragem de escrever aqui, pois muitos simplesmente achariam que fiquei louco. Mas eu e mais algumas poucas pessoas sabemos a extensão da influência que tudo isso teve e ainda tem. E isso é a parte boa.

Mas por um sem numero de motivos, as coisas nao correram do jeito que eu esperava. O resultado não me satisfez e apesar de tudo de bom que me trouxe, no fundo o sentimento que ficou mais forte foi o de frustração. O carro nunca chegou a refletir de fato o que eu idealizei, nunca realizou o seu potencial. Foi como tirar um 7 numa prova em que você esperava um 10 com louvor. Muita gente achava que o carro seria um redondo zero e assim sendo, o 7 fez cair muitos queixos. Mas não o meu.

Tentei fazer um beija-flor e se não saiu o famigerado urubu, digamos que tenha saido algo como um pelicano, ou um avestruz...

A grande questão é: Será que ainda sonho esse sonho? Quanta necessidade ainda sinto de provar pra mim mesmo que posso fazer esse carro funcionar como me propus?

E mais: Será que quero me desapegar desse carro? Ou pior, será que consigo?

Se eu sou um idiota, não sou do tipo que age mal porque não pensa. Se sou idiota, sou aquele tipo que reflete sobre o caso e acredita no errado, achando que é o certo.

Eu não desisiti, e acredito que vou até o fim.

E você? Ainda acredita?

Lembram da novela do Setor de direção? Pois bem, finalmente acabou. Tá aí o troço, no lugar.

Totalmente lavado, graxa nova, coifas novas, buchas novas...





Próximo passo: Barras de direção, estabilizadora e suas tralhas, pedais... Vai longe.


terça-feira, 3 de abril de 2012

Chegaram as peças da zincagem

As peças agora prontas para montar

Amortecedor de direção, aguardando o acabamento





quinta-feira, 29 de março de 2012

Perfeccionismo não é qualidade,

Peças do setor de direção após jato de micro esferas de vidro
Perfeccionismo, ao contrário do que muitos dizem, não é qualidade. É isso aí, digo e repito: Perfeccionismo para mim é defeito. Segundo a infopédia, a definição de perfeccionista é: "pessoa que procura realizar na perfeição uma obra ou tarefa".

Parece bom, a princípio... Mas a perfeição em si é um termo difícil de definir. Alguns sinônimos são "excelência em grau elevado" ou "execução e acabamento completo". Até aí ainda vá. O problema surge quando entra o velho "qualidade daquilo que não possui defeitos".

Como assim? Em tudo se pode encontrar algum defeito, nada é perfeito. Se uma Ferrari é a definição de carro perfeito (nao estou dizendo que é), uma pessoa pobre pode dizer que seu único defeito é que ela não pode comprar. Pronto, lá se foi a perfeição. Mas caso corrigíssemos esse problema, os ricos adeixariam de comprá-la, alegando que seu único defeito é a falta de exclusividade, afinal qualquer um pode ter...

E se defeitos sempre existem, a perfeição não pode existir, a não ser dentro de um contexto. Logo, o perfeccionista nada mais é do que um louco que persegue algo que não existe fora de sua mente. 

Mas que linha determina o limite entre ser caprichoso ou detalhista e a doença mental?

Pra mim, perfeccionista é aquele que vai longe demais, não sabe a hora de parar. Não sabe mais medir a relação de custo-benefício de uma tarefa. Extrapola o contexto, apenas com o benefício em vista, esquecendo do custo que ele possa ter em termos de esforço, tempo e dinheiro empregados na tal tarefa.

Por exemplo: Há pessoas que tem o hábito de lavar a parte de baixo de seu carro. Isso é ser caprichoso, afinal, apesar de não ser estritamente necessário, há benefícios palpáveis em fazê-lo eventualmente. Enfim, é uma coisa pouco importante para a maioria das pessoas, mas até faz sentido. Já o hábito que um conhecido meu tem de encerar as molas de seu carro de uso diário é no mínimo contra-producente, para não dizer totalmente idiota. É a mesma coisa que encerar a sola dos sapatos.

Então, sempre que você perde muito tempo ou emprega muitos recursos para realizar uma tarefa que vai ter uma importância muito pequena no contexto geral do que você está fazendo, é perfeccionismo. 

Infelizmente, compreender um defeito não quer dizer que você seja capaz de corrigí-lo.

Resultado da oxidação em uma das abraçadeiras
A abraçadeira mais danificada pela ferrugem
Quando tive o desprazer de ver as peças do setor de direção, que estavam em excelente condição quando guardei, atingirem esse estado que aparece nas fotos, a irracionalidade tomou conta do meu ser mais uma vez. Claro que eu poderia jateá-las e pintá-las, que ficariam protegidas da oxidação e cumpririam sua função de forma totalmente aceitável.

Mas não deu. Além do jateamento tive que lixar as peças, até sumir todas as marcas do episódio. Essas peças ficam na parede de fogo, numa parte baixa, atrás do motor. Provavelmente ninguém veria essas marquinhas, e se visse provavelmente não faria diferença nenhuma. Mas eu vi... Não iria conseguir dormir a noite, pois apareceriam nos meus pesadelos quando eu fechasse os olhos. 

Sei que isso não é coisa de que eu deva me orgulhar, mas fazer o quê? Ninguém é perfeito. 

Abraçadeiras após lixamento
Prontas para a zincagem